Supernovas (versão completa)
- Pedro

- 24 de mar. de 2019
- 3 min de leitura
As supernovas são imensas explosões provocadas por estrelas muito massivas, que liberam um brilho tão intenso que pode, por um período de tempo, superar o brilho de galáxias inteiras. Com o passar do tempo, o brilho e a temperatura da explosão diminuem lentamente. As supernovas marcam, no ciclo estelar, a “morte” das estrelas. Apesar de terem esse lado violento, as supernovas são as responsáveis por permear o espaço com elementos mais pesados (tendo a produção destes enquanto a estrela ainda realizava os processos de fusão nuclear) e por possibilitar a formação de novas estrelas, assim possuem um papel análogo ao de um passarinho, o qual se alimenta de sementes e, então, espalha-as pelo solo.
Cientistas concluíram que a supernova que deu origem à Nebulosa do Caranguejo (uma das mais conhecidas) ocorreu em meados de 1054 e, no mesmo ano, tornou-se o segundo objeto mais brilhante do nosso céu (depois da Lua). Nessa época (muito antes de cientistas como Kepler, Newton, Galileu...) acreditava-se ainda que a Terra era o centro do Universo. Com certeza a supernova causou um pânico considerável na população!
Caso tivéssemos uma estrela razoavelmente próxima do sistema solar, com cerca de 8 massas solares (ou mais), seria um fator preocupante. Mesmo que a explosão em si não nos alcançasse, ainda teríamos problemas, já que a supernova libera uma enorme quantia de raios gama, os quais podem, em contato com a atmosfera, acabar com a nossa camada de Ozônio, deixando-nos totalmente vulneráveis à radiação ultravioleta vinda do Sol. Felizmente, não há estrelas candidatas à supernovas por perto. Vemos então que o Sol não irá terminar em uma supernova, já que não possui a massa necessária.
Existem duas classificações principais para as supernovas: Tipo 1 e Tipo 2;
As supernovas tipo 1 são dadas em um sistema estelar binário (composto por uma anã branca e uma companheira). As estrelas nesse sistema interagem, de forma que a matéria da estrela companheira é adicionada a anã branca até que esta atinja o limite de Chandrasekhar (1,44 massas solares). Neste ponto, a pressão de degeneração dos elétrons (que é o que impede a densa estrela de se colapsar) não consegue conter o colapso induzido pela gravidade, de modo que a anã branca se torna uma estrela de nêutrons ou um buraco negro (dependendo da massa). Em suma, o “roubo” e agregação da massa da estrela vizinha condena a nossa “ladra”.
As supernovas tipo 2 ocorrem em estrelas que possuem cerca de 8 massas solares para mais. Quando o processo de fusão nuclear se encerra, a estrela começa a se contrair devido a sua gravidade, gerando uma supernova e remanescentes desta.
As remanescentes das supernovas são um prato cheio de maravilhas. Nuvens imensas de poeira das mais variadas cores (correspondendo aos elementos criados no coração da estrela) marcam o espaço, dando um contraste ao que parece ser o vazio eterno. Fantásticas estrelas de nêutrons, rotacionando sob seu eixo a dezenas de vezes por segundo (o pulsar* PSR J1748-2446ad foi registrado a rotacionar em torno de 700 vezes por segundo), devido à conservação de momento angular e os “monstros cósmicos” (buracos negros) podem ser os remanescente da estrela colapsada; como mencionado, sendo determinado pela massa da estrela antes do colapso.
Supernovas, apesar de não serem os processos mais comuns do Universo, não são muito difíceis de serem “descobertas”. Há registros de astrônomos amadores que conseguiram observar supernovas inéditas. Em pesquisas sérias, há um jeito de “prevermos” a região onde uma supernova “aparecerá”; isso se deve ao fato de que, nos momentos finais de vida da estrela, essa libera uma grande quantia de neutrinos, que podem ser detectados por nós na Terra, fornecendo uma espécie de “aviso”.
As hipernovas são explosões estelares de escalas colossais. Uma única hipernova pode liberar 100 vezes mais energia do que uma supernova comum e é considerada por muitos cientistas o tipo de explosão mais poderoso existente. A estrela Eta Carinae é uma das principais suspeitas a vir a se tornar uma hipernova. Mesmo estando a 7500 anos-luz da Terra, o brilho da explosão será tão intenso que competirá com o da Lua, por alguns meses.
Outro fato curioso sobre supernovas é que, durante o processo da explosão, quando a estrela está empurrando suas camadas internas para fora, o processo de fusão nuclear é ativo em meio a tais condições caóticas, possibilitando a criação de elementos muito pesados, como plutônio, urânio, etc.
Vemos assim que as supernovas são provas de que nada, nem mesmo estrelas, duram para sempre, mas elas também nos mostram que, a partir de uma estrela perecida, temos a fertilização do cosmos, com o espalhamento da matéria produzida nas fornalhas galácticas (estrelas), permeando o espaço com elementos que possibilitaram o surgimento da vida. Encerramos citando Carl Sagan para uma breve reflexão:
“O cosmos está dentro de nós. Somos feitos de poeira das estrelas. Somos um meio do Universo se conhecer.” Pulsares* são, essencialmente, estrelas de nêutrons.
Material de refrência: 50 ideias de astronomia que você precisa conhecer/ Do átomo ao buraco negro/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Supernova





Comentários