A forma da Via-Láctea
- Pedro

- 17 de ago. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 8 de out. de 2019
Certamente todos que estão lendo esse artigo possuem uma memória precisa da própria imagem física, graças aos espelhos. Contudo, “auto observar-se” sem o uso da ferramenta óptica mencionada (ou de fenômenos como o reflexo) torna-se um feito impossível. Todavia, a ciência é surpreendente de tal forma, que um feito equivalente à situação descrita acima torna-se possível.
No início do mês de agosto de 2019, um grupo de pesquisadores publicou um estudo na revista Science, no qual é demonstrado que nossa galáxia possui uma estrutura diferente do que se pensava (anteriormente, o formato do disco da Via-Láctea era visto como sendo, aproximadamente, plano), sendo que o disco é bem mais contorcido, de forma a resultar em um formato semelhante ao de uma batatinha. Estudar a forma da Via-Láctea é uma tarefa desafiadora para os cientistas e isso se deve ao fato de vivermos em tal galáxia e, portanto, seria o equivalente a uma pessoa tentar observar a si mesma. Outras galáxias podem ser estudadas de uma maneira muita mais simples, dada a possibilidade de uma observação direta. Afim de que possamos “visualizar” nossa galáxia, os astrônomos realizam várias observações de diferentes corpos celestes, para que, dessa forma, possam marcar, com precisão, a distância relativa destes, obtendo, assim, uma referência espacial adequada para o mapeamento da região estudada. Na astronomia, dentre os objetos mais utilizados para a mensuração de distâncias estão: supernovas, gigantes vermelhas, estrelas variáveis, entre outros objetos, cujas características referentes à luminosidade são propícias para a determinação de distâncias.
Os cientistas realizaram uma série de observações de estrelas variáveis Cefeidas (2341 foram observadas), nas regiões mais externas da Via-Láctea, sendo assim capazes de calcular, com precisão de 5% (que é considerada alta precisão), a distância até tais astros, de modo a conseguirem também um padrão de distribuição de tais estrelas. Os estudos realizados permitiram a criação de um modelo 3D avançado, o qual possibilita a visualização da forma da Via-Láctea. Embora não saibamos qual é a real causa da torção do disco da nossa galáxia, há possíveis hipóteses, as quais apontam razões distintas, como: interações com gás intergaláctico, galáxias satélites (galáxias menores vizinhas da Via-Láctea) e matéria escura.
Foto do modelo da forma da Via-Láctea, seguindo os estudos recentes.





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